29/07/2010
Prêmios: como ganhar
Edição 1401 do Meio & Mensagem
Na semana que antecedeu a entrega do Oscar, as páginas de jornais on e off-line foram inundadas de previsões, palpites e opiniões sobre quem deveria e quem mereceria levar a estatueta para casa, conteúdo mais do que turbinado pela disputa entre o medalhão James Cameron e sua ex-mulher, Kathryn Bigelow, a primeira mulher a ganhar um Oscar de melhor diretor(a). Até aí, nada de novo.
O que me impressionou, particularmente neste ano, foi a quantidade absurda de estatísticas e as equações que produziam o percentual de chances de cada um. Aparentemente, os estatísticos invadiram o tapete vermelho e dominaram a edição deste ano. Eram equações como: "Se ganhou o Actor's Guild e o Director's Guild, mas perdeu o Globo de Ouro, as chances são de 60%". As equações compunham resultados de cinco ou seis outros festivais, transformando troféus em pontos de probabilidade que incrementavam a descarga de adrenalina nas estrelas que lotaram a plateia do Kodak Theatre.
Mas o fenômeno não se restringe ao mundo de Hollywood. Parece-me que no nosso mundinho, similar na fartura de prêmios e festivais, a tendência estatística dos prognósticos também tem prevalecido. O Gunn Report, que monta anualmente um ranking com agências, anunciantes e profissionais mais premiados a partir de uma pontuação arbitrada pelo Gunn - que dá nome ao report -, é apenas um exemplo. Conheço redatores e diretores de arte que sabem de cor as regras de pontuação dos principais festivais e as linhas de critério de cada júri, o que é um tanto assustador. Enfim, é um fenômeno que tomou conta das reuniões de board, que decapitam ou levam aos céus vice-presidentes de criação por sua performance nos festivais. Fato que, por consequência, produziu uma geração de especialistas em ganhar prêmios. Fazer o quê? A necessidade é a mãe da invenção.
E, se por um lado me assusta ver gente dedicando mais tempo à "ciência" da premiologia do que ao exercício do próprio ofício, por outro é difícil fechar os olhos para a eficácia dos prêmios para as carreiras. Prêmios despertam a atenção para empresas e profissionais. O que essa atenção vai encontrar depois são outros quinhentos. Sabemos claramente que há agências e profissionais que são uns no trabalho que concorre em festivais e outros, diametralmente opostos, no dia a dia. Mas sabemos também que há agências e profissionais premiados justamente pelo seu trabalho e obsessão pela qualidade no cotidiano.
Mais interessante ainda é a dinâmica de um primeiro grande prêmio ganho por alguém. É extremamente eficaz como isca. Eu mesmo só fui ler sobre a tal da Bigelow depois deste oba-oba todo do Oscar. Nem sabia que ela tinha sido a diretora do pipoquíssimo Caçadores de Emoção, muito menos que tinha sido responsável por um megafracasso de bilheteria que quase enterrou sua carreira. Enfim, o Oscar fez isso por ela: deu a chance de ela se comunicar, via Google, com milhões de interessados em cinema no mundo todo.
Nesta semana, foi lançada a categoria Estudantes no anuário do Clube de Criação de São Paulo (CCSP). O que significa que estudantes de todo o Brasil terão a chance de aparecer nas páginas do principal registro do que é criado e produzido anualmente no País. Um briefing real da Volkswagen (anunciante do ano no último anuário) será publicado no www.ccsp.com.br. Não há nenhuma divisão por disciplina ou meio de comunicação. A resposta ao briefing pode ser dada por um anúncio de revista, uma ação de web, um filme de 30 segundos, uma ação de conteúdo. Não importa. Serão julgadas a criatividade e a pertinência da resposta.
Se os vencedores desta edição se tornarão futuros líderes da criatividade publicitária brasileira, só o tempo dirá. É certo que os vencedores se colocarão no holofote, e isso pode ser bom ou ruim, dependendo de como cada um lida com a pressão. Ou você acha que a Kathryn Bigelow não vai direto para a berlinda no seu próximo filme?
O que me impressionou, particularmente neste ano, foi a quantidade absurda de estatísticas e as equações que produziam o percentual de chances de cada um. Aparentemente, os estatísticos invadiram o tapete vermelho e dominaram a edição deste ano. Eram equações como: "Se ganhou o Actor's Guild e o Director's Guild, mas perdeu o Globo de Ouro, as chances são de 60%". As equações compunham resultados de cinco ou seis outros festivais, transformando troféus em pontos de probabilidade que incrementavam a descarga de adrenalina nas estrelas que lotaram a plateia do Kodak Theatre.
Mas o fenômeno não se restringe ao mundo de Hollywood. Parece-me que no nosso mundinho, similar na fartura de prêmios e festivais, a tendência estatística dos prognósticos também tem prevalecido. O Gunn Report, que monta anualmente um ranking com agências, anunciantes e profissionais mais premiados a partir de uma pontuação arbitrada pelo Gunn - que dá nome ao report -, é apenas um exemplo. Conheço redatores e diretores de arte que sabem de cor as regras de pontuação dos principais festivais e as linhas de critério de cada júri, o que é um tanto assustador. Enfim, é um fenômeno que tomou conta das reuniões de board, que decapitam ou levam aos céus vice-presidentes de criação por sua performance nos festivais. Fato que, por consequência, produziu uma geração de especialistas em ganhar prêmios. Fazer o quê? A necessidade é a mãe da invenção.
E, se por um lado me assusta ver gente dedicando mais tempo à "ciência" da premiologia do que ao exercício do próprio ofício, por outro é difícil fechar os olhos para a eficácia dos prêmios para as carreiras. Prêmios despertam a atenção para empresas e profissionais. O que essa atenção vai encontrar depois são outros quinhentos. Sabemos claramente que há agências e profissionais que são uns no trabalho que concorre em festivais e outros, diametralmente opostos, no dia a dia. Mas sabemos também que há agências e profissionais premiados justamente pelo seu trabalho e obsessão pela qualidade no cotidiano.
Mais interessante ainda é a dinâmica de um primeiro grande prêmio ganho por alguém. É extremamente eficaz como isca. Eu mesmo só fui ler sobre a tal da Bigelow depois deste oba-oba todo do Oscar. Nem sabia que ela tinha sido a diretora do pipoquíssimo Caçadores de Emoção, muito menos que tinha sido responsável por um megafracasso de bilheteria que quase enterrou sua carreira. Enfim, o Oscar fez isso por ela: deu a chance de ela se comunicar, via Google, com milhões de interessados em cinema no mundo todo.
Nesta semana, foi lançada a categoria Estudantes no anuário do Clube de Criação de São Paulo (CCSP). O que significa que estudantes de todo o Brasil terão a chance de aparecer nas páginas do principal registro do que é criado e produzido anualmente no País. Um briefing real da Volkswagen (anunciante do ano no último anuário) será publicado no www.ccsp.com.br. Não há nenhuma divisão por disciplina ou meio de comunicação. A resposta ao briefing pode ser dada por um anúncio de revista, uma ação de web, um filme de 30 segundos, uma ação de conteúdo. Não importa. Serão julgadas a criatividade e a pertinência da resposta.
Se os vencedores desta edição se tornarão futuros líderes da criatividade publicitária brasileira, só o tempo dirá. É certo que os vencedores se colocarão no holofote, e isso pode ser bom ou ruim, dependendo de como cada um lida com a pressão. Ou você acha que a Kathryn Bigelow não vai direto para a berlinda no seu próximo filme?
Criação
Fernando Campos
Na semana que antecedeu a entrega do Oscar, as páginas de jornais on e off-line foram inundadas de previsões, palpites e opiniões sobre quem deveria e quem mereceria levar a estatueta para casa, conteúdo mais do que turbinado pela disputa entre o medalhão James Cameron e sua ex-mulher, Kathryn Bigelow, a primeira mulher a ganhar um Oscar de melhor diretor(a).
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