29/07/2010

Peça publicitária alavanca a busca por um mondo mais sustentável

Edição 1401 do Meio & Mensagem

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Nos dias 28 de fevereiro e 7 de março, o programa Fantástico, da Rede Globo, exibiu duas reportagens nas quais brasileiros opinavam sobre a construção de empreendimentos de alto padrão em pontos turísticos famosos: sobre o morro da Urca, no Rio de Janeiro; em ilhas artificiais dentro da Lagoa da Conceição, em Florianópolis, e do Lago Paranoá, no Distrito Federal; e nas areias das praias de Boa Viagem, no Recife, e de Pitangueiras, no Guarujá.

Na verdade, o objetivo era fazer uma enquete idealizada pelo Instituto Akatu e desenvolvida pro bono pela agência de publicidade Lew'Lara\TBWA, de forma a medir o grau de consciência dos brasileiros em seus atos de consumo. Nesse caso, na compra de um apartamento em prédios caricaturalmente colocados em locais que poderiam despertar a fúria dos consumidores mais conscientes.

Entre os idealizadores da ação, havia o pressuposto de que as pessoas achariam absurda a construção de residências nesses locais, não só porque elas restringiriam o acesso a locais públicos em benefício de uma ínfima minoria, como também porque causariam sérios danos ao meio ambiente e modificariam significativamente a paisagem.
Entretanto, não foi essa a reação da maioria, que, pelo contrário, mostrou-se muito interessada em comprar os apartamentos. Brasília teve o recorde de aprovação: 75% dos entrevistados aprovaram a ideia. Em Recife a aprovação foi de 61%, e nos municípios de Guarujá e Florianópolis a aprovação foi de 59% e 41%, respectivamente.

Apenas na cidade do Rio de Janeiro, a quase maioria dos entrevistados (49%) rejeitou o projeto, 12% não se manifestaram e 39% aprovaram a construção. No geral, ainda que alguns tenham questionado a legalidade dos empreendimentos, o dado que mais chama atenção é que uma parcela pequena dos entrevistados se mostrou indignada do ponto de vista ético. Em todas as cidades onde o teste foi feito, o percentual de reprovação dos empreendimentos variou de 7% a 31%, sem contar aqueles que optaram por não se manifestar.

Esses resultados evidenciam que, ainda que em uma situação caricatural, a maioria dos brasileiros não relaciona seu consumo com os impactos sobre o meio ambiente, além de não avaliar criticamente as questões éticas, estéticas e de valores envolvidas em uma decisão de consumo que claramente afetava de forma negativa os demais cidadãos. Alguns se limitavam a, eventualmente, indagar sobre a legalidade do empreendimento, levantando dúvidas sobre a real possibilidade de o mesmo ter sido aprovado pelas autoridades municipais.

Por outro lado, as reportagens propiciaram um momento de reflexão sobre os impactos do consumo. A TV mostra novamente sua capacidade de contribuir para sensibilizar e mobilizar uma audiência de milhões de brasileiros por meio da exacerbação didática do que podem ser os impactos do consumo, usando uma proposta publicitária ousada e criativa para chamar a atenção dos consumidores sobre os impactos de uma compra.
A parceria entre o Instituto Akatu, a agência de publicidade Lew'Lara\TBWA e a Rede Globo usou a questão de princípios e valores "por trás" da peça publicitária. O resultado é que, quase três semanas depois de exibida a segunda reportagem, o debate sobre os empreendimentos (fictícios) ainda permeia a mídia e as rodas de conversas, aumentando a escala e a velocidade da disseminação do consumo consciente.

Essa experiência deixa claro que há ainda um longo caminho a ser trilhado na direção de maior sensibilidade para os impactos do consumo, que muitas vezes não são corretamente avaliados, nem mesmo em situações extremas como aquelas mostradas no programa.


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Sustentabilidade


Helio Mattar

Diretor-presidente Instituto Akatu pelo Consumo Consciente


Nos dias 28 de fevereiro e 7 de março, o programa Fantástico, da Rede Globo, exibiu duas reportagens nas quais brasileiros opinavam sobre a construção de empreendimentos de alto padrão em pontos turísticos famosos: sobre o morro da Urca, no Rio de Janeiro; em ilhas artificiais dentro da Lagoa da Conceição, em Florianópolis, e do Lago Paranoá, no Distrito Federal; e nas areias das praias de Boa Viagem, no Recife, e de Pitangueiras, no Guarujá.

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