29/07/2010
Ondas que vêm e vão
Edição 1404 do Meio & Mensagem
Nesta semana acontece em Las Vegas a NAB Show, a maior feira mundial do setor de radiodifusão - um evento que atrai dezenas de milhares de visitantes de todas as partes do globo, profissionais atraídos por novidades em equipamentos para produção e transmissão de rádio e TV. É de lá que se aguardam os lançamentos em soft e hardware, tanto para TV digital quanto para a novíssima TV 3D. Como tem acontecido nos anos anteriores, também desta vez se espera grande presença de brasileiros no gigantesco pavilhão da capital dos cassinos à procura de atualização tecnológica.
Especificamente para o setor de rádio no Brasil, é uma feira que repete as últimas edições - desde as quais se arrasta uma lenga-lenga sem fim acerca da definição do padrão para o rádio digital no País. À falta de uma especificação oficial para a transmissão do sinal de rádio, as emissoras nacionais vêm tratando de se digitalizar na produção e no armazenamento de conteúdo, visando à competição e à atualização dentro da dura concorrência entre as mídias. Não por acaso, as rádios brasileiras foram - e ainda são - muito mais ágeis que as próprias TVs em cruzar seus conteúdos com suas próprias estações na internet. Sem falar que também têm sido criativas e inovadoras ao utilizar as possibilidades do celular para enriquecer sua programação. É o máximo que se pode fazer à falta do arcabouço oficial, que só pode ser dado a partir da especificação do padrão para a transmissão digital das ondas de rádio em frequência modulada (FM), ondas médias (AM) e ondas curtas (OC).
Pois não é que Hélio Costa, ministro das Comunicações do governo Lula de 2005 até 31 de março, apagou a luz do gabinete? Antes de sair, no entanto, assinou a portaria do rádio digital brasileiro, que ocupa menos de uma folha de papel tamanho A4. Feita, literalmente, às escuras. O documento diz que tem de haver um padrão, determina suas características genéricas ideais, mas não o define (ler matéria nesta edição). Ou seja: uma portaria inócua, cujo valor de face não representa nada no mercado.
É aquela coisa: a história acontece como tragédia e se repete como farsa. E o empresariado nacional da radiodifusão já está escolado. Como bem lembra o presidente da Abert, Daniel Pimentel Slaviero, com a TV digital o desenrolar foi o mesmo: uma portaria foi assinada em 2004, mas só virou decreto presidencial dois anos depois.
Espera-se, agora, que seja delineado um caminho para o desenvolvimento de um padrão nacional nos moldes do estabelecido para TV, mais adequado à realidade do País; e não se pode descartar a criação de um fórum - como foi feito para a televisão. O padrão para o rádio já está atrasado na corrida da tecnologia: o High Definition é uma grande novidade para equipar os modelos automotivos nos EUA, sendo a alta definição em som somente uma dentre tantas outras possibilidades de um novo sistema digital, capaz de melhorar a qualidade e ampliar as ofertas simultâneas de conteúdo. O que preocupa mesmo o meio rádio no Brasil atualmente é a pirataria sacramentada, com emissoras clandestinas roubando frequências e até anunciantes em determinadas regiões. Não é exagero nenhum dizer que urge o novo padrão digital, acompanhado de um plano de implantação para o rádio brasileiro.
Hélio Costa esteve na NAB de Las Vegas há dois anos, em uma viagem que lhe rendeu alguma dor de cabeça ao ter de justificar por que, além de levar mulher e cinco assessores, ainda conseguiu um pacote para incluir os sogros com os mesmos benefícios estipulados para os radiodifusores. Quantos ministros ainda irão à capital do jogo até que tenhamos um padrão para o rádio digital?
*
Mesmo na sua própria casa, fez todo sentido a ausência do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, no jantar de abertura do lançamento do 7º Ebap, na quinta-feira 8. O evento aconteceu no pomposo Palácio Laranjeiras, residência oficial do titular do cargo na capital fluminense, no mesmo dia em que eram contabilizados os corpos soterrados na catástrofe da vizinha Niterói. Já que o evento noturno era inadiável pela imponência e complexidade de sua organização, ao menos se poupou à nata da tão prestigiada propaganda e mídia brasileiras o constrangimento de se tornar manchete ao lado do governante de um Estado em luto por estarem, por essas ciladas que o destino nos prega, todos reunidos no lugar certo na hora errada.
Especificamente para o setor de rádio no Brasil, é uma feira que repete as últimas edições - desde as quais se arrasta uma lenga-lenga sem fim acerca da definição do padrão para o rádio digital no País. À falta de uma especificação oficial para a transmissão do sinal de rádio, as emissoras nacionais vêm tratando de se digitalizar na produção e no armazenamento de conteúdo, visando à competição e à atualização dentro da dura concorrência entre as mídias. Não por acaso, as rádios brasileiras foram - e ainda são - muito mais ágeis que as próprias TVs em cruzar seus conteúdos com suas próprias estações na internet. Sem falar que também têm sido criativas e inovadoras ao utilizar as possibilidades do celular para enriquecer sua programação. É o máximo que se pode fazer à falta do arcabouço oficial, que só pode ser dado a partir da especificação do padrão para a transmissão digital das ondas de rádio em frequência modulada (FM), ondas médias (AM) e ondas curtas (OC).
Pois não é que Hélio Costa, ministro das Comunicações do governo Lula de 2005 até 31 de março, apagou a luz do gabinete? Antes de sair, no entanto, assinou a portaria do rádio digital brasileiro, que ocupa menos de uma folha de papel tamanho A4. Feita, literalmente, às escuras. O documento diz que tem de haver um padrão, determina suas características genéricas ideais, mas não o define (ler matéria nesta edição). Ou seja: uma portaria inócua, cujo valor de face não representa nada no mercado.
É aquela coisa: a história acontece como tragédia e se repete como farsa. E o empresariado nacional da radiodifusão já está escolado. Como bem lembra o presidente da Abert, Daniel Pimentel Slaviero, com a TV digital o desenrolar foi o mesmo: uma portaria foi assinada em 2004, mas só virou decreto presidencial dois anos depois.
Espera-se, agora, que seja delineado um caminho para o desenvolvimento de um padrão nacional nos moldes do estabelecido para TV, mais adequado à realidade do País; e não se pode descartar a criação de um fórum - como foi feito para a televisão. O padrão para o rádio já está atrasado na corrida da tecnologia: o High Definition é uma grande novidade para equipar os modelos automotivos nos EUA, sendo a alta definição em som somente uma dentre tantas outras possibilidades de um novo sistema digital, capaz de melhorar a qualidade e ampliar as ofertas simultâneas de conteúdo. O que preocupa mesmo o meio rádio no Brasil atualmente é a pirataria sacramentada, com emissoras clandestinas roubando frequências e até anunciantes em determinadas regiões. Não é exagero nenhum dizer que urge o novo padrão digital, acompanhado de um plano de implantação para o rádio brasileiro.
Hélio Costa esteve na NAB de Las Vegas há dois anos, em uma viagem que lhe rendeu alguma dor de cabeça ao ter de justificar por que, além de levar mulher e cinco assessores, ainda conseguiu um pacote para incluir os sogros com os mesmos benefícios estipulados para os radiodifusores. Quantos ministros ainda irão à capital do jogo até que tenhamos um padrão para o rádio digital?
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Mesmo na sua própria casa, fez todo sentido a ausência do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, no jantar de abertura do lançamento do 7º Ebap, na quinta-feira 8. O evento aconteceu no pomposo Palácio Laranjeiras, residência oficial do titular do cargo na capital fluminense, no mesmo dia em que eram contabilizados os corpos soterrados na catástrofe da vizinha Niterói. Já que o evento noturno era inadiável pela imponência e complexidade de sua organização, ao menos se poupou à nata da tão prestigiada propaganda e mídia brasileiras o constrangimento de se tornar manchete ao lado do governante de um Estado em luto por estarem, por essas ciladas que o destino nos prega, todos reunidos no lugar certo na hora errada.
Editorial
Edianez Parente
"É aquela coisa: a história acontece como tragédia e se repete como farsa. E o empresariado nacional da radiodifusão já está escolado. Como bem lembra o presidente da Abert, Daniel Pimentel Slaviero, com a TV digital o desenrolar foi o mesmo: uma portaria foi assinada em 2004, mas só se tornou decreto presidencial dois anos depois”
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