29/07/2010

Ásia, parada obrigatória

Edição 1418 do Meio & Mensagem

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Este mês, Charlie Thomas, CEO da The Talent Business na região Ásia-Pacífico (charlie.thomas@thetalentbusiness.com), expressa seu ponto de vista acerca das questões fundamentais sobre talentos na Ásia e conclui que a região oferece a melhor plataforma possível de desenvolvimento de uma carreira global na área de comunicação.

"Fala-se muito que o século 21 será o século da Ásia. Na posição de dirigente da The Talent Business das subsidiárias de Cingapura e Xangai, a impressão que se tem é certamente esta. As economias continuam a apresentar crescimento de dois dígitos com pausa apenas para recuperar o fôlego durante a crise. A confiança do consumidor está elevada e notamos um nível de energia e dinamismo extraordinários por toda a região. Com uma população atual que supera três bilhões de pessoas e esse senso de otimismo, não é surpreendente que as supermarcas mundiais continuem a investir intensamente nesta parte do mundo. As notícias são excelentes para as agências na Ásia, sendo este um fator impulsionador da atual demanda elevada por talentos. A boa notícia é que cerca de metade dos profissionais de comunicação colocados no mercado de trabalho pela The Talent Business na Ásia vem de fora da região.

Dez anos atrás, trabalhar em propaganda no mercado asiático não era visto como opção de carreira muito promissora pelo mundo Ocidental (principalmente em Londres e Nova York). O acrônimo FILTH (que traduzido quer dizer: não deu certo em Londres, tente Hong Kong) resumia a percepção generalizada sobre a carreira na Ásia nos anos 80. Hoje em dia, a situação mudou de tal maneira que vivenciamos quase o oposto. A maioria dos líderes do mercado é unânime em afirmar a importância da Ásia para o futuro das redes de contato profissional e citam que alguns dos melhores talentos estão aqui ou são transferidos para a região. Temos visto exemplos reais de como a Ásia pode ser um trampolim fantástico para carreiras, principalmente para aqueles profissionais com aspirações globais.

A América Latina e a Ásia possuem semelhanças quanto ao ritmo de desenvolvimento e as oportunidades que ambas as regiões apresentam. São dois mercados enormes no que tange a complexidade cultural e macroescala, ou seja, o profissional que trabalhou em empresas regionais na América Latina está qualificado para enfrentar alguns desafios de trabalho em empresas no continente asiático. As agências das duas regiões estão na frente da Europa e América do Norte no que diz respeito à mídia digital; redes sociais e a necessidade de desenvolver soluções integradas. Os profissionais seniores com talento criativo ou estratégico; com alguma experiência na América Latina e boa reputação em realizar campanhas devidamente integradas encontrarão inúmeras oportunidades interessantes na Ásia.

Apesar das semelhanças no panorama das agências na Ásia e América Latina, devemos ter consciência de algumas diferenças antes de considerar explorar opções na região. A principal delas está no cenário das agências na Ásia, que é dominado pelas redes multinacionais; já no Brasil, apesar de as grandes redes terem adquirido várias agências locais ao longo dos últimos anos, ainda encontramos boas agências criativas independentes. Infelizmente, com exceção da BBH e W&K, este não é o caso na região Ásia-Pacífico. É verdade que há algumas agências interessantes em Cingapura, Malásia, China e Índia; entretanto, elas tendem a ser muito 'locais'. Consequentemente, os talentos interessados na Ásia precisam ter consciência que muito provavelmente o ponto de partida será uma grande agência de rede multinacional e não em uma pequena agência 'descolada'.

Em linhas gerais há duas rotas prováveis para o profissional sênior que deseja mudar para a Ásia. A primeira seria assumir a gerência, quer seja administrativa, de criação ou planejamento, em um escritório local na Malásia, Indonésia ou Vietnã. Há posições interessantes que qualificam o profissional a adquirir boa experiência de gestão e desenvolver credibilidade na região. Entretanto, como novos negócios são invariavelmente o sangue novo que alimenta uma agência voltada para o setor doméstico, a falta de experiência na Ásia pode ser uma barreira. A segunda seria trabalhar em uma posição regional ou com marcas globais. A grande maioria destas empresas localiza-se em Cingapura, Bangcoc ou Hong Kong. Provavelmente este seja o território mais fértil para profissionais expatriados, pois oferece as posições mais interessantes. O que poderia ser mais fascinante do que tentar compreender e buscar aspectos em comum entre os consumidores do Japão, China, Índia, Vietnã, Tailândia e Indonésia? 

Não menosprezando o sucesso econômico do Brasil, a sua população de quase 200 milhões de habitantes e a incrível qualidade do trabalho produzido por agências brasileiras, a China sozinha tem uma população de 1,3 bilhão de habitantes e estima-se que o investimento publicitário deste país supere o dos EUA em dois anos. Então, se você busca uma plataforma global para a sua carreira em uma agência multinacional, a Ásia certamente deveria estar no topo da sua lista de destinos."


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Carreira


Gary Stolkin

Presidente e CEO global da The Talent Business


Para Charlie Thomas, CEO da The Talent Business, a região oferece a melhor plataforma possível de desenvolvimento de uma carreira global na área de comunicação. "Fala-se muito que o século 21 será o século da Ásia".